Ficha impossível · 1974

Gurgel Itaipu

Gurgel Itaipu E150

O primeiro carro elétrico feito na América Latina: um pequeno Gurgel de dois lugares, apresentado no Salão do Automóvel de 1974, mais de 30 anos antes do primeiro Tesla. Cerca de 20 foram construídos, mas nenhum chegou a ser vendido.

Tipo
Carro elétrico urbano de dois lugares
Em uso
1974–1976 (protótipos e pré-série)
País
Brasil
Unidades
cerca de 20 da pré-série, nenhum vendido
Onde está
Alguns sobreviveram, como o das fotos desta página
Um Itaipu E150 de pré-série
Um Itaipu E150 de pré-série. Foto: Marcelo Bezerra Cavalcanti
  • 60 km/hde máxima, nos últimos protótipos
  • 780 kgsendo 320 kg de baterias
  • 4 cvde motor elétrico
  • 80 kmde autonomia, no máximo

Ao lado de um carro de hoje

Renault Kwid 2026, o elétrico mais barato do Brasil hoje
Gurgel Itaipu Renault Kwid →
  • Velocidade máxima · nos últimos protótipos

    60 km/h
    130 km/h

    Renault Kwid anda 2,2 vezes mais rápido

  • Potência

    4 cv
    65 cv

    Renault Kwid tem 16 vezes mais potência

  • Peso

    780 kg
    969 kg

    Renault Kwid pesa 1,2 vezes mais

  • Comprimento

    2,65 m
    3,70 m

    Renault Kwid é 1,4 vezes maior em comprimento

Ficha técnica

Motor e energia

Motor
elétrico de corrente contínua, 3 kW (4 cv)
Tensão
120 V
Baterias
10 de chumbo-ácido, de 12 V, ligadas em série
Peso das baterias
320 kg
Autonomia
60 a 80 km

Desempenho

Velocidade máxima
cerca de 30 km/h nos primeiros protótipos e até 60 km/h nos últimos

Dimensões e peso

Comprimento
2,65 m
Largura
1,40 m
Altura
1,45 m
Entre-eixos
1,62 m
Peso
780 kg (460 kg sem as baterias)
Lugares
2

Carroceria

Tipo
cupê de duas portas, de linhas retas e trapezoidais
Uso
carro urbano, para trajetos curtos na cidade

Produção

Fabricante
Gurgel Veículos (SP)
Criador
o engenheiro João Augusto do Amaral Gurgel
Apresentação
Salão do Automóvel de São Paulo, 1974
Unidades
cerca de 20 da pré-série
Vendas
nenhuma: nunca chegou às lojas

A história

Em 1974, no meio da primeira crise do petróleo, o engenheiro João Gurgel levou ao Salão do Automóvel de São Paulo um carrinho que não usava gasolina. O Itaipu tinha dois lugares, linhas retas e um motor elétrico alimentado por dez baterias de chumbo. O nome homenageava a hidrelétrica de Itaipu, que o Brasil e o Paraguai tinham acabado de acertar: a ideia era um carro movido pela energia das usinas brasileiras.

A Gurgel planejava começar a produção no ano seguinte e chegou a montar cerca de 20 carros de pré-série. Os primeiros andavam a uns 30 km/h; os últimos chegavam a 60 km/h e rodavam até 80 km com uma carga. O problema eram as baterias: pesavam 320 kg, quase metade do carro, custavam caro e duravam pouco. O Itaipu nunca foi vendido.

Gurgel não desistiu. Em 1980 apresentou o Itaipu E400, uma van elétrica com motor Villares de 13,6 cv e câmbio de quatro marchas, produzida em série entre 1981 e 1982: foi o primeiro elétrico fabricado em série no Brasil. Uma delas rodou a serviço da CESP, a companhia de energia de São Paulo. Faltavam, de novo, baterias melhores, e a ideia esperou mais de 30 anos para voltar às ruas.

Você sabia?

  • Foi apresentado em 1974, 34 anos antes do Tesla Roadster, o primeiro carro da Tesla.
  • Dos 780 kg do carro, 320 kg eram baterias: 41% do peso.
  • Com 2,65 m, era mais de um metro mais curto que um Renault Kwid.
  • O nome é uma homenagem à usina de Itaipu: a proposta era um carro movido a eletricidade brasileira, num tempo de petróleo caro.
  • A van E400, sua sucessora, foi o primeiro carro elétrico produzido em série no Brasil e chegou a rodar a serviço da CESP.

Fotos

De porta aberta: só dois lugares
De porta aberta: só dois lugares
A traseira, com a identificação E-150
A traseira, com a identificação E-150
A sucessora, a van elétrica E400, numa unidade da CESP
A sucessora, a van elétrica E400, numa unidade da CESP

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Fotos: Marcelo Bezerra Cavalcanti (CC BY 3.0); Marcelo Bezerra Cavalcanti (CC BY 3.0); Marcelo Bezerra Cavalcanti (CC BY 3.0); Tiago Songa (CC BY-SA 4.0), via Wikimedia Commons.